1 de jul. de 2011

Alexander Mcqueen


Ele não morreu. Ele simplesmemte foi para algum lugar onde há muito tempo ele já transitava.

Autor de um trabalho incrível, Alexander Macqueen, sempre teve em sua personalidade elementos marcantes do romantismo gótico, como ele mesmo dizia. Romantismo que oscilava entre a vida e a morte, o bom e o mau, a tristeza e a felicidade.

Lado gótico que lhe rendeu sempre inspirações cravadas no passado da Inglaterra e Escócia, ou puramente no fáscínio por Catarina, a Grande, e Maria Antonieta.

O seu lado perverso ,como o de um cientista louco que corta e mistura pedaços de mulheres é traduzido com a mistura não só de diferentes materiais, mas também com plumas e penas, conchas, metais, chifres e até carcaças de animais. Macqueen é o próprio Jack, the ripper, do começo do seculo. Ele não só concretiza isso, desenhando a roupa do Jack, mas também cortando os diferentes pedaços de tecidos, estudando o corpo: fazendo o papel dos primeiros médicos anatomistas, que descobriam o corpo humano através do roubo de cadáveres: o esqueleto e que todo mundo tem sangue dentro nas camadas do corpo.

A caveira é seu maior emblema.

Refere-se com um olhar especial para o sadomasoquismo como fim da criação para a beleza feminina: arreios, espinhos, espartilhos de metal, facas, arame farpado, coroa de espinhos…

Posso visualisá-lo no começo do século , como nos velhos contos de Stevenson, o Dr Hide caminhando pelas ruas escuras de Londres. Noite escura, chão de paralelepípedo, rua estreita, luz de lampião.

Fã de Hitchcook, os pássaros são frequentes em sua coleções:

Passáros e o voo me fascinam. Admiro águias e falcões .Sou inspirado por penas, mas também por suas cores, grafismo, leveza e engenharia... Sempre tento transpor a beleza de um pássaro para uma mulher.

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Esquizofrênico de carteirinha, escondeu-se bem,ou seja, enganou bem. Ele mesmo disse:

Sou um romantico esquizofrênico.Aguns pensam que me tornei mais softer com esta coleção de primavera, mas sempre existiu isso no meu trabalho. Deve haver algum romance de Edgar Allan Poe para isso - não é um algo que se veja abertamente - mas é minha personalidade. Eu sempre fui muito sensível, mas nem sempre viram isto.

Empalhou os pássaros de Alfred Hitchcook e em uma estilização fez “O Corvo”de Allan Poe virar ombreira. Usou e abusou da cruz e da crucificação de Cristo. Esse rito de passagem para a morte o inspira.Brincava com ele e com as suas passagens como se já fossem caminhos habitués.

Agora, Nevermore!

1 de jun. de 2011

Epifania

Não sei o que escrever.

A dificuldade em escrever estava diretamente ligada a toneladas de informações adquiridas. Escrever qualquer bobagem já não faz parte da minha vontade.

Esta semana pós- casamento royal, pós-Bin Laden, houve um pouco de calma para refletir em todo o tempo investido na televisão e jornal. Mas o que abordar? Escrever o que todo mundo escreve seria uma impertinência. Só uma epifania!

Os anos em que a coitada da mulher do Bin Laden ficou presa na casa paquistanesa, sem ter acesso ao mundo exterior, sem TV, sem internet já seria algo bom! Ninguém falou dela!

A exacerbada comemoração dos americanos, como o próprio jornalista Micheal Kepp escreveu hoje no jornal.

A roupa das duas primas do príncipe seria repetição e, quase a versão moderna da Cinderella. Elas estarem bem atrás da rainha na Abadia foi fundamental. Sempre tem que ter alguém cafona para, então, ter a princesa encantada.

Os enfeites de cabeça – faço uma aposta –, que vão migrar do Reino Unido e virar moda em muitos lugares do mundo. As roupas, bem óbrias, e os chapéus e tiaras, ornamentadas com a maior criatividade e expressão de modernidade já vistos. O contraste entre o formal e a quebra do tradicional. Eu amo os ingleses!

Rick Genest, homem zumbi, como é chamado, tinha grandes afinidades com zumbis desde a infância e resolveu tatuar o corpo todo para se tornar um. Hoje, saiu das ruas onde morava, e virou top model. Está vindo para o Brasil desfilar no fashion Rio. O que leva uma pessoa a se tatuar inteiramente, macabramente, me renderia meses de pesquisa psicanalítica, ainda mais com um caso desses, do bom!

Ele fez um vídeo clip com a cantora Lady Gaga, cujas roupas louquérrimas são do estilista que fez o vestido de noiva da princesa: Alexander Mcqueen. Se vc quiser comprar qq coisa dele na internet pode desistir, já houve o bum pós-casamento royal e ele já faz o dobro do sucesso mesmo morto! Se enforcou.

Tchau, que eu vou passar o colírio alucinógeno do Macaco Simão.

26 de fev. de 2011

A voz de um povo

Hoje, logo ao acordar, li as manchetes que anunciavam a renúncia do ditador Mubarak e fiquei extremamente feliz e orgulhosa pelo povo egípcio manifestar a sua voz. Depois de vários eles, finalmente, foram ouvidos. Veja a importância de um povo se manifestar, lutando pelos seus interesses.

Coincidentemente, fui assistir ao grande favorito ao Oscar deste ano, O Discurso do Rei, que mostra a luta do futuro Rei da Inglaterra em manifestar a sua voz, as suas vontades. Teve uma infância cheia de maus tratos e intimidações e, agora, supera isso com trabalho árduo.” A voz de um rei é a voz de um povo.”

Todo mundo tem uma voz, seja particular ou da própria nação, é que poucas vezes a manifestamos. Ora por falta de esperança, ora por desconhecimento. Historicamente, o Brasil já foi melhor em ter seu povo na rua lutando, reivindicando seus direitos. Os brasileiros esqueceram do poder de um povo unido lutando por uma causa.

Individualmente, todo mundo tem uma voz que muitas vezes já é castrada na infância. A opinião própria desde cedo assusta, principalmente quando ela diverge dos pais ou cuidadores. Ouvir a voz de um filho também é mais trabalhoso, é melhor tê-lo seguindo uma única voz paterna, ditadora. Essa criança acaba que vai crescendo e acostuma a não se questionar mais, tendo a certeza que seus pais sempre fazem o melhor e o certo por ela. Vai banindo a sua opinião, o seu gosto, e quem sabe, a sua coragem para algum dia ir as ruas lutar junto a seu povo.