12 de out. de 2010

suspiros

Se acaso me quiseres não sou dessas mulheres que só dizem sim...

Hoje estou com essa musica na cabeça de “......”

Por sinal, aprender a dizer não foi um grande desafio para mim.

Eu era dessas que me embananava toda para não dizer não.

Saia correndo, tomava banho sem lavar a cabeça, não almoçava, mas nunca negava nada. Se a pessoa me pedisse o maior absurdo eu passava por cima de mim mesma para agradá-la. Sempre o outro primeiro. Sempre o cuidado com o outro.

Eu não percebia.

Fui criada em uma grande família onde o meu espaço individual foi sempre muito pequeno, e assim eu cresci, achando que era assim.

Só questionei agora, com a chegada dos meus quarentinha.

No começo eu não conseguia dizer não, eu tinha que mentir porque o “não posso “podia implicar vários nãos: não tenho tempo, ou não quero, ou agora não.

Mas, do mesmo modo que eu não sabia dizer não, tinha muita gente que não sabia receber um não e insistia muito. Tinha pessoas que já estavam acostumadas com a minha falta de não, e obviamente, me acharam rebelde: sempre eu fiz tudo, como agora eu não faço mais? Aquela tarefa já estava pré-destinada para mim, mesmo não sendo minha, tipo folga mesmo!

Tive que mentir e aos poucos fui me apropriando do meu não. Fui fazendo minhas escolhas.Fui ficando menos divertida.Abusada.

Foi uma longa jornada, mas, agora não tenho medo de dizer não! Tenho satisfação.


11 de out. de 2010

Vida Caiçara

Quanto menos faz, menos quer fazer.

Moleza puxa moleza, sono puxa sono.

É impressionante como o meu ritmo cai, quando vou para a praia. Assim que chego, ainda estou plugada nas horas e no celular, mas conforme vou respirando a maresia, vou desligando, relaxando.

Nos primeiros dias, acordo super cedo, ritmo São Paulo, e, depois, quanto mais eu durmo, mais sono eu tenho. É uma total lesera. É assim que eu entendo a praia; o dia passa mais devagar, como se eu só tivesse uma única preocupação: que horas vou caminhar na areia.

Isso não é novidade a ninguém.

O fato de eu só ter uma preocupaçao de cada vez faz com que eu não tenha stress: eu vou resolvendo uma coisa depois da outra sem atropelo. Não preciso pensar em mais de uma coisa ao mesmo tempo, e dirigir e atender o celular e esconder do guarda e procurar o fio do fone de ouvido e, e, e.

Essa disciplina das multitarefas , multifocal é que me cansa e me stressa, me dando a sensação que o tempo voa.

17 de set. de 2010

amamentar

Vislumbramos o bom e o bonito quase sempre como uma coisa agradável e sem dor.
Fazemos uma tela mental da situação perfeita, imaginando tudo bonito: a agradável luz do dia, as cores preferidas, os sons harmônicos etc.
E era assim que eu imaginava - quando nasceu meu primeiro filho - que seria a amamentação: a cadeira de balanço, os raios de sol na transparência das cortinas, o tom pastel, o bebê rosado...Nunca, nunca, nunca me falaram que amamentar doía. Eu fiquei perplexa, não pela dor, mas pela falta de informação:
-Será que não queriam me assustar?
-Será que só doía em mim?
Socorro! Mãe! E minha mãe me olhava com aquela cara dizendo:"É assim mesmo minha filha".
Detalhe: sou a oitava filha.
Meu filho nasceu enorme, com uma fome de gigante e simplesmente sugou tudo que eu tinha e o que eu não tinha também. Que desespero!
Fiquei pensando que não me falavam, porque amamentar é super importante e não queriam me desencorajar. Mas por que o bonito não pode ser dolorido? O próprio parto já é o primeiro exemplo deste caso bonito com dor. Os músculos dos atletas que treinam horas para superar recordes. As bolhas dos corredores nos pés, das ginastas nas mãos. As horas que um escritor dedica para escrever um livro. Que um professor leva para preparar uma aula.
A dor de um esforço para o nascimento de uma coisa boa, legal, bonita. A dor justificando seu fim.
No final isso tudo durou os primeiros longos dias. Sabe aqueles eternos ! E depois o corpo foi se acostumando e nós fomos nos ajeitando! As experiências foram, enfim, maravilhosas.
Quando minha segunda filha nasceu tudo mudou, continuaram as dores terríveis dos primeiros dias, mas ela era tão feminina e delicada que tinha um ritmo diferente, e mamava devagar , pausadamente. O quarto tinha, então, musica clássica e cortinas transparentes, mas meu corpo meio que não entendeu, estava acostumado com um fluxo maior e começou a produzir mais do que ela consumia, muito mais.....Mastite !!
Um nova jornada dolorida veio e foi, um novo aprendisado.
O terceiro filho nasceu, e agora, nada mais era um mistério eu já havia percorrido uma longa kilometragem nesse assunto, era quase uma expert.
A dor é inevitável, mas o sofrimento opcional.
E é por isso que eu sinto muita saudade daqueles bebes rosados, mamando na cadeira de balanço no por do sol de Vivaldi.

19 de ago. de 2010

Olhando para onde não se deve

Ontem encontrei com uma velha amiga que colocou algum preenchimento no rosto e ficou extremamente bochechuda e esquisita. Eu, simplesmente, não consegui disfarçar: meus olhos só focavam a bochecha. Ainda tentei olhar para os pés. Como ela falava comigo, não tinha jeito! Era uma mistura de curiosidade em desvendar o que era aquilo, com uma indignação com aquilo que o ser humano é capaz de fazer pela beleza. Ou melhor, pela falsa beleza.
Percebi que leva algum tempo para nos acostumarmos com o novo e é mais fácil nos acostumarmos quando concordamos com ele, o que não era o caso da minha amiga...


14 de ago. de 2010

Booster

Exausta, já no fim da aula de spinning, percebo que quando a musica me trás uma boa memória eu tenho mais energia para continuar. A música pode me agradar, ou ser da moda, mas se não tem significado é como se eu não tivesse essa carga extra.
Procurando uma explicação melhor sobre a música em meu cérebro descobri um livro bárbaro de Daniel J. Levitin "A musica no seu cérebro ". Entre muitas outras coisas, ele fala que lembramos músicas de nossa adolecência facilmente por que essa fase é cheia de descobertas, cheia de emoções e a nossa amidala e neuro-transmissores estão sempre rotulando nossas memórias como algo importante.

9 de ago. de 2010

A Pausa

A pausa é a hora em que o pensamento se assenta, em que a alma se acalenta.
Hoje em dia não temos tempo para respirar, ou melhor, para perceber a respiração. É através da respiração que criamos lacunas, espaços entre os pensamentos.
Às vezes, enquanto respiro, faço uma espécie de suspiro, uma inspiração mais forte. É nessa pequena pausa de segundos, que eu assento meus os pensamentos.
Quando a cabeça está um turbilhão de ideias é quando um bom suspiro entra em ação, acalmando-as e focando-as. É aquela resposta necessária no meio de tanta inquietação.
Na vida como um todo também é assim; de repente vem tudo junto e parece que não sei por onde começar e o que pensar. Nada como um dia após o outro no meio da confusão e da ansiedade pela conclusão. Jogo a pausa, como um descanso, ou como uma distração e logo tudo começa a fazer sentido. Vai aos poucos clareando. Tiro o foco da tensão. E a resposta estava lá
desde o começo esperando uma brecha para aparecer. A pausa tirou toda a minha inquietação:
o que estava lá no meio do turbilhão é uma linha reta de pensamentos, agora, coerentes.

Vírgula

A vírgula, como se explicava antigamente, era a hora de respirar na frase, da pausa. Hoje em dia vemos que é muito mais do que isso. Tem uma ótima explicação no filme publicitário comemorativo dos 100 anos da ABI – Associação Brasileira de Imprensa, que mostra os sentidos que uma vírgula pode dar a uma frase.

9 de jul. de 2010

Backup

Tenho uma amiga que perdeu todos os dados do seu i-phone quando a filha derrubou o celular dentro da piscina. O aparelho nunca mais ligou e ela não se conforma que não fez um backup dos dados! Ela vai ter muito trabalho refazendo sua agenda de telefones, mas não adianta “chorar por leite derramado”. Já foi, bola para frente. É importante não se cobrar e se perdoar, não somos robos e muitas vezes comemos bola mesmo! Seja solidária com você mesmo.

5 de jul. de 2010

Mea Culpa


Estava lendo a reportagem da capa da revista ISTOÉ “Não carregue todas as culpas.” Quando me senti a própria mulher da foto: carregando aquele peso. A reportagem cita as 10 culpas mais frequentes da nossa sociedade que cobra a perfeição na vida pessoal e profissional. As pessoas se sentem cada vez mais exigidas.

Eu não me sinto culpada, mas percebi que era escrava das informações: frango só sem hormonios, verduras orgânicas, leite só para bezerros, carboidratos sem glutém , doces de manhã, yoga e agora pilates. Drenagem, botox, dieta da lua, aula de música e kumon para os meus filhos, nataçao é obrigação. Sem falar a importancia do inglês. Quiropata e acumpultura. Fui preenchendo o meu dia (e o deles) com aquilo que é o politicamente correto do momento! Estava tão empolgada em cumprir essas tarefas que nunca me questionei se essas informações eram aquilo que realmente eu queria ou que melhor se adequam ao meu estilo de vida. Consegui me comprometer com todas essas informações que passava o dia a cumprir minhas próprias ordens. Como um robo da era moderna !! Carregava o peso que eu mesma fui me colocando!

30 de jun. de 2010

Falta de tempo

É muito comum ouvir as pessoas reclamando da falta de tempo. Descobri uma grande aliada à minha luta contra o tempo: uma agenda. Parece piada na cyber era de hoje, eu comprar uma agenda de papel, mas ela foi importantíssima no meu processo de otimização de tempo e redução de stress. Estou me dedicando todos os dias à noite, antes de dormir, a gastar de 5 a 10 minutos na programação do meu dia de amanhã. O fato de eu sentar abrir a agenda e preparar o meu dia, me deixa muito mais confiante e calma. Eu não só coloco os meus compromissos com hora marcada, mas eu priorizo as minhas atividades e tarefas. Acabei com os milhares de papeizinhos e com as anotações na capa do cheque. O melhor de tudo é que é muito gratificante acabar o dia e ver que você conseguiu quitar todos os seus compromissos e também as surpresas inesperadas. Agora tenho tempo para tudo, ou melhor, quase tudo...estou sempre me aprimorando.

28 de jun. de 2010

Damasco

Descobri que 100g de damasco seco tem 1489 de potássio e 100g de banana prata tem 370!
Nunca me mandaram comer damasco deve ser porque tem muitas calorias!

Quarentinha

Essa semana fiz 40 anos.
Essas idades redondas sempre fazem agente parar e pensar sobre a vida como um todo! Estou satisfeita? O que quero mudar?
Foi muito interessante perceber que conforme essa data se aproximava eu fui fazendo vários ajustes no casamento, na casa, com os filhos, amigos e, praticamente, com tudo que aparecia.
Nada mega radical, mas a sabedoria dos quarentinha me ensinou a dizer não carinhosamente, me ensinou a priorizar, a observar a me organizar. Mudei a casa de cor, estou voltando a trabalhar e assim vai...
Quase às vésperas do dia lembrei que eu não tinha conseguido emagrecer o quanto queria e que aquilo era praticamente uma derrota para uma quarentinha descolada! Fiquei nessa onda de frustração por um tempo até eu perceber que eu ia me sabotar de novo! Quer dizer que se um pilar da minha vida não está com a nota dez, eu vou colocar tudo abaixo e me convencer que eu sou uma derrotada? Percebi que esse era um padrão que vinha me assombrando à algum tempo: eu ignoro tudo de legal que eu conquistei, ignoro que estou feliz e só penso naquela única "derrota", só nela...
Não é justo, é ser muito burra!
Comemorei meu aniversário muito agradecida, celebrei cada dura conquista e contemplei amigos e familiares que estiveram comigo.
Estou feliz...e os quilos ficam para depois!

25 de jun. de 2010

"Menina Nina"

Estava conversando com uma amiga que recentemente perdeu o pai e não sabe como contar ao filho, muito apegado a ele. Me lembrei, então, de quando minha irmã faleceu, anos atrás! É muito dificil participar para um filho pequeno que uma pessoa tão querida se foi assim, sem se despedir. Você está se sentindo um lixo e não pensa tão racionalmente. Percebi que era importante eu dizer a ele que a morte é um processo natural da vida e que todos nós vamos ter que passar por isso, como as folhas das árvores que caem no outono. Tem um livro muito legal do Ziraldo que chama “Menina Nina”, Duas razões para não chorar, que sonda os mistérios da vida e da morte numa linguagem cuidada e simples, falando da dor de um modo delicado e cheio de esperanças.

30 de mai. de 2010

Jornadas

É muito engraçado o que a mente humana é capaz de fazer: se auto-sabotar.
Desde que resolvi escrever este blog não arranjo tempo para postar, ou fico pensando como escrevo mal, ou fico pensando o que os outros vão pensar, e assim vai. Vou colocando vários problemas no meio do caminho e vou ficando frustrada com a não realização do que eu me comprometi.
Recentemente entrei em um blog, em que a autora, Sheila Glazov usa um Diagrama de Venn para o seu work-shop pedindo para as mulheres colocarem nos círculos três informações.

A.Como ela acha que os outros a vêem.
B.Como elas se vêem.
C.Como elas se vêem no futuro.

Depois de completas é para relacionar as três questões com as suas jornadas de Vida!

25 de mai. de 2010

Castigo

Nunca dê um castigo que você, mãe, se arrependa depois!
É muito importante a criança cumprir o combinado, uma vez que o castigo já foi dado. Se você na hora não sabe o que fazer, diga que não gostou e vai pensar a respeito. Lembre-se que para a criança a noção do tempo é diferente de um adulto: um mês pode ser uma eternidade!

15 de abr. de 2010

Coragens

Tive coragem e comecei